mulher rodada

Essa semana a internet foi invadida pela discussão sobre “mulheres rodadas”. Graças a esse cartaz, que um cidadão fotografou, o tema bombou nas redes sociais e gerou polêmicas deliciosas.

Eu, sobre o assunto, apenas me pronunciei que “mulher rodada: sou. e sorte do meu noivo”. Porque sim, dá pra ser rodada e ser noiva sem perder a essência da rodagem. Dá pra ser rodada e se orgulhar disso. Dá pra ser rodada e não se arrepender e/ou envergonhar.

Afinal, o que seria uma mulher rodada? Existiria um número que nos categorizasse na gradação de: santa, danadinha, rodada, vagabunda-tem-que-morrer?

Então vamos lá pensar a respeito.

Quando começamos a autoescola, temos aulas teóricas, práticas e, finalmente, a famigerada prova, que nos qualifica como aptos a dirigir. Pois bem, eu desafio qualquer pessoa a, munido da habilitação recém-recebida, e apenas com as aulinhas práticas, pegar a Marginal em São Paulo sem fazer nenhuma cagada.

Não, né? Porque não?

Porque falta prática. Dirigir bem demanda pegar o carro e treinar, fazer caminhos mais longos de propósito, se perder, levar um ou dois retrovisores e um amassadinho ali, tomar uns xingamentos, as mãos suarem na ultrapassagem.
Até que uma hora fica sossegado e você começa a disfrutar a paisagem, já dá pra ligar o som, comer com uma mão e a outra no volante, receber um boquetinho sem se afligir. A prática leva à segurança, e a segurança ao prazer.
Com sexo é a mesma coisa.

A gente perde a virgindade e continua sabendo nada de sexo. Ainda que leia a respeito, veja filmes, se informe, continuamos sem saber bem o que e como fazer as coisas. Até que, PRATICANDO, vamos conhecendo o nosso corpo, o corpo do outro, os movimentos, a delícia que é tudo aquilo. E aí deixa de ser apenas sexo e vira um verdadeiro deleite.
Mulher rodada é aquela que, supostamente, já saiu com vários caras e transou com todos ou a maioria deles, certo? Logo, é uma mulher que PRATICOU o sexo, que CONHECE sexo, né? E sabe como fazê-lo, e sabe do que gosta. Já viu vários paus, chupou muitos deles, é manjadora da arte do boquete. Ela, possivelmente, goza mais de uma vez na transa, é mais liberta, mais segura e, por gostar mesmo daquilo, mais safada. Ela fez a prova, pegou a habilitação, foi pra rua praticar e agora viaja o país dirigindo com a música alta, cabelos ao vento, observando atenta a paisagem, feliz por cada trecho do caminho.

Penso muitas coisas sobre isso tudo e esse moralismo que faz com que muitos caras e, pior, mulheres, julguem e condenem uma mulher que, quando chegou para eles, estava completa e plena com sua sexualidade, disposta a compartilhar sua maravilhosa viagem.

Mas, se pudesse dar um conselho, diria que: sua mulher é rodada? Aprenda com ela.

 

Texto escrito por Rê – contato: falacomare@gmail.com

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