O Biritas publicou semana passada uma breve introdução sobre a Podolatria, todavia, como somos incansáveis, hoje iremos publicar uma segunda parte, fruto de um contato com um podolatra. Destacamos que ter fetiches faz parte, é importante inclusive.

Vamos às palavra do Senhor “P”, nome fícto, pois não iremos identificar o internauta. Divirtam-se

 

podolatria

 

Primeiramente aos que nunca ouviram falar em PODOLATRIA, do que se trata esta particularidade. Podolatria é o fetiche (mais comum em homens) cujo o desejo do fetichista se concentra nos pés.

Nesse ponto o desejo ou satisfação sexual podem ser encontrados em diferentes vertentes da podolatria como, por exemplo:

Adoração: A adoração consiste na excitação do podolatra em ver, tocar com as mãos, lamber, cheirar, beijar, chupar ou massagear os pés de outra pessoa.

Footjob (Masturbação com os pés): O footjob se determina no podolatra ter seus genitais manipulados pelos pés da parceira até o atingir o orgasmo e a ejaculação sem que ocorra penetração.

Trampling (Pisoteamento): basicamente o podolatra se excita – e realiza – em servir de “tapete”, ou seja, ser pisado por uma ou mais pessoas.

Crush (esmagar): Consiste em ver uma pessoa (geralmente do sexo oposto) utilizando sapatos ou não, pisando e esmagando diversos objetos, comida ou até insetos e animais.

Giantess (Gigante): nesta vertente o prazer do podolatra é ser esmagado, rebaixado,pisado e humilhado com os pés da parceira

Ballbusting (explodir os testículos) Funda-se no ato onde o podolatra tem seu genital e seus testículos chutados ou pisoteados geralmente por mulheres calçadas ou não, visando diversão, excitação e até mesmo o orgasmo e a ejaculação.

Dentre todas as vertentes listadas acima, a mais comum é a adoração. Importante salientar que a prática da podolatria não leva necessariamente ao sexo em si, já que em alguns casos a prática da adoração está mais ligada à submissão do indivíduo que pratica a adoração nos pés, e/ou a dominação, da pessoa que tem seus pés adorados.

Lembrando sempre que apesar da podolatria ser um dos componentes do BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo), nem todo podolatra é ou deve ser tratado e visto como submisso, “escravo” e muito menos “money slave” (situação em que um submisso ou escravo se coloca por vontade própria servindo a outra pessoa financeiramente)

É notório que para a grande maioria da população (principalmente as mulheres) a aceitação deste fetiche ainda é um tabu, assim como muitas outras coisas relacionadas a excitação sexual. Entretanto a podolatria é algo mais comum do que muitos imaginam. Se você for uma daquelas pessoas que reparam nos detalhes, certamente conseguira reconhecer facilmente um podolatra, seja pelo olhar geralmente fixo, devorando aquele belo par de pezinhos, ou quando o podolatra estiver em um relacionamento e todas as vezes que a parceira estiver em uma determinada posição em que os pés da mesma estejam de fácil acesso para que o parceiro possa lamber, cheirar, massagear ou simplesmente tocar fazendo com que o podolatra chegue ao clímax com mais satisfação.

Infelizmente o assunto em questão ainda gera muito desconforto; seja para muitas pessoas que vêem tal fetiche como algo nojento ou para os podolatras, que na maioria dos casos têm medo e/ou vergonha de assumir seu fetiche e dizer que sentem prazer em tocar, beijar, lamber, chupar e ver solinhas e dedinhos e assim serem chamados de “loucos” ou “doentes” pelas pessoas para as quais se abriram.

Com o surgimento das redes sociais o acesso à podolatria tem se tornado cada vez mais fácil e a cada dia que passa o tema podolatria vem ganhando mais adeptos e espaço nesses meios chegando assim ao conhecimento de mais pessoas que acabam criando comunidades no Facebook, grupos no Whatsapp, inúmeras contas no Instaram ou no Twitter para falarem, discutirem e divulgarem o assunto. Logicamente o tema ainda é bem mais fácil de ser comentando ou discutido do que nos anos 90 e inicio dos anos 2000, até porquê existe muita dificuldade na aceitação desse fetiche, entretanto penso que nunca acontecerá uma aceitação unânime, mas é inegável a evolução, facilidade de acesso e a “popularização” desse fetiche.

Essa “popularização” incentiva com mais facilidade encontros como em grupos ou locais com pessoas que compartilham do mesmo gosto, trazendo inúmeros benefícios para os adepto, como por exemplo uma maior disponibilidade para organizar reuniões ou festas podolatras principalmente nos grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro onde existem locais exclusivos para festas fetichistas.

Outro aspecto positivo foi fazer com que diversas pessoas que possuem o mesmo interesse e nunca tiveram coragem de falar para ninguém se abrissem com outros fetichistas e falassem sem medo sobre o tema fazendo com que os mesmos ficassem mais desinibidos e entendessem que não há nada de errado em sentir-se excitado por um calcanhares e unhas bem cuidadas.

No entanto essa “popularização” da podolatria, na minha humilde opinião, trouxe também malefícios, uma vez que fica cada vez mais evidente a existência de inúmeras pessoas envolvidas atualmente na podolatria por qualquer outro motivo, menos pelo prazer. Vou citar um exemplo hipotético, uma determinada mulher que nunca ouviu falar sobre podolatria de repente descobre que no Facebook ou Instagram existem pessoas dispostas a comprar fotos, vídeos, meias, sapatilhas, sapatos usados por mulheres. Tendo descoberto isso a mulher acredita ter descoberto uma maneira de ganhar um bom dinheiro sem fazer “nenhum ou “quase nenhum esforço” e com isso em mente, decide criar um perfil para mostrar seus pés, vai no Google e pesquisa sobre podolatria e a partir disto finge ser uma adepta da situação e com isso em, pouco tempo, ganha um bom dinheiro, sem falar nos diversos presentinhos (Sandálias caras, sapatos, chinelos e muito mais) fazendo alguns “podos” passarem atestado de tarados explorados. Isso sem contar os inúmeros casos de estelionato que acontecem.

A situação fica ainda mais vexatória se levarmos em conta que existe nas redes sociais uma certa competição entre algumas mulheres dentro podolatria, uma querendo alimentar seu ego mais que a outra e por isso batem de frente, ainda que de forma velada. Além de quem posta fotos mais ousada, quem tem mais seguidores, quem ganha mais presentes, dinheiro, curtidas, comentários, isso sem mencionar as discussões entre as chamadas “feets”, se um podolatra presenteia uma mulher e não presenteia a outra. Ficam com raiva quando “pedem” algum presente ou um agrado financeiro e não são atendidas, chegando inclusive a cortar qualquer contanto com o podolatra que não atenda a seus caprichos. Enfim, não tenho nada contra quem mistura podolatria e dinheiro, inclusive conheço algumas pessoas que fazem da podolatria seu trabalho, no entanto o prazer delas, se seguirmos os desígnios do fetiche, seria no ato de terem seus pés adorados e não simplesmente no quanto ganham para terem seus pés adorados.

Resumindo: não concordo com certas pessoas, que nunca tiveram qualquer contato com a podolatria, utilizar a prática para ganhar dinheiro, presentes ou qualquer outro tipo de vantagem fazendo da podolatria um comercio. Isso denigre o fetiche, em especial às mulher simpatizantes, dando a idéia de que são garotas de programas. O que não condiz com a realidade, visto que o prazer mútuo que se baseia o fetiche é o foco. Não o bolso.

Concluindo, cada um faz o que sua consciência achar melhor, todavia a partir do momento que você se coloca um preço não pode reclamar do ônus que isso acarreta, mas cada um sabe de si. Particularmente, jamais me sujeitaria a ser “escravo”, submisso ou pagaria qualquer valor para adorar os pés de nenhuma mulher, por isso ando desanimado da podolatria, lamento muito que o fetiche tenha chegado neste nível onde para a maioria as mulheres a podolatria se tornou um fetiche onde todos os podolatras são vistos como submissos, “escravos” ou onde elas simplesmente vêem a podolatria como um simples “comércio” e não estão nem um pouco interessadas no prazer do fetiche e sim na quantia e no que iram receber, sinto falta da época em que a única coisa que realmente importava era o lado prazeroso da podolatria, porém, apesar da podolatria atualmente estar bem distante da sua essência nada está totalmente perdido, isso porque felizmente ainda existem pessoas que a levam a sério e curtem a podolatria como ela realmente deve ser.COM PRAZER.

Senhor “P”

5Pwvquvp